Descobrimento do Brasil: nossa identidade

“O primeiro passo para destruir a identidade de um povo, é fazer com quem esqueçam sua História. Faça zombar de seus heróis ou até achar que não passam de filhos de ladrões.”

Dia 22 de abril, é uma data esquecida ou ignorada: O descobrimento do Brasil. Evento histórico este, que é sempre posto em prova por pessoas que geralmente tem aspirações políticos ou identitários, alegando ser “a favor da verdade”.

Porém, o que foi descobrimento do Brasil? Apenas uma exploração para fortalecimento do mercantilismo e da coroa portuguesa? Ou havia propósitos reais, de tornar a colônia em uma nação? Vamos falar um pouco sobre isso.

Descobrimento das Américas

Não dá para falar de descobrimento do Brasil de forma isolada, sem tratar de alguns fatos que estão relacionados com este. O descobrimento das Américas é exatamente o fato “precursor” do evento a qual nós estamos falando.

No ano de 1492, chegou ao fim na Península Ibérica (região de Portugal e Espanha), a Batalha da Reconquista: que foi uma série de conflitos entre reinos cristãos e muçulmanos, entre os séculos VIII ao século XV, com objetivo dos reinos cristãos retomarem suas terras tomadas por mulçumanos. A batalha chega ao fim no reinado de Isabel de Castela (1451 – 1504) e Fernão de Aragão (1452-1516), os chamados “Reis Católicos”.

Isso ocasionou em vários prejuízos, que os reinos tiveram devido os conflitos, porém a Península Ibérica até o momento já estava famosa por ser um âmbito de navegadores. Dentre esses navegadores estava: Cristóvão Colombo (1451-1506), financiado pela Rainha Isabel de Castela, começou sua expedição alegando fazer “um novo caminho para as Índias”. Acabou encontrando as “Índias ocidentais”(Américas), embarcando onde hoje é conhecido como Havana, capital de Cuba.

Tal evento, mandou uma mensagem para seus vizinhos Ibéricos, Portugal, que havia novas terras a serem desbravadas. Porém, tudo tem um limite, em 1496, é assinado o Tratado de Tordesilhas, que indicavam as áreas que cada um podia explorar.

Nova Terra

Não demorou muito para que Portugal entrasse no “jogo”. Por volta, de março de 1500, uma frota de 13 navios comandados, por Pedro Álvares Cabral, previam fazer um novo caminho pelas índias agora pelo oeste conforme o Tratado de Tordesilhas.

No dia 22 de abril, houve a chegada indireta no ao Monte Pascoal e no dia seguinte tiverem o encontro com os habitantes locais, os povos Indígenas. Que na época receberam o nome de “Índios”. Cerca de quatro dias depois, no dia 26 de abril, é celebrada a primeira missa por frei Henrique de Coimbra e escrita a famosa carta de Pero Vaz de Caminha, que trazia o nome de “Achamento”. A expedição na “Nova Terra” dura até 2 de maio, partindo para Índia em seguida.

O encontro com os povos indígenas, fora à primeira vista amistoso. Porém, as impressões acerca deles contidas na carta de Pero Vaz de Caminha, mostra uma visão um tanto quanto preconceituosa na linguagem anacrônica de alguns hoje, mas também um breve objetivo: “Porém o melhor fruto que nela se pode fazer me parece que será salvar esta gente.”, dando recado claro aos monarcas da Península Ibérica: que não somente há novas terras, mas sim, novas almas para espalhar o Evangelho.

A carta também informava as riquezas naturais que a Nova Terra entregava, mesmo que o Brasil, até então não trazia certa importância aos portugueses uma vez que as primeiras terras exploradas não traziam a informação resultado de encontrar, metais preciosos, visado no Mercantilismo. O Pau-Brasil, sendo o artefato mais valioso até então encontrado. Mas havia um interesse maior no território: Expandir o Reino.

Agora a casa é nossa

Todo processo de colonização, teve seu início a partir de 1530, quando Portugal trouxe seus Bandeirantes para exploração do território e tomada de terras. Mesmo que sabemos que as a Capitanias Hereditárias foram fundadas, após as chamadas “Guerras Justas”, batalhas que ocorriam entre portugueses e povos indígenas aliados a eles, contra outros povos para a tomada da região por interesse econômico.

Até 1534, quando o primeiro sistema de administração colonial, as Capitanias Hereditárias, sendo divididas em 15 no total, sendo 12 direcionadas a Nobres, chamados de Donatários, que em troca de povoamento podiam explorar e lucrar com terras. A mão de obra a base de indígenas e escravos africanos.

Porém, boa parte das capitanias falharam no sentido de dar lucros a Portugal. Parte dessa falha devido à resistência indígena e alguns quilombos que geraram resistência à mão de obra e os abusos feitos pelos capatazes da época. Sendo encerradas, até 1548, sendo instituído um Governante Geral, para centralização e melhor administração.

Povoar o Brasil

Até agora nossa história não muda em nada. Mas parte dela é contada de forma enviesada. Existe uma ideia de que o Brasil for a povoado apenas por ladrões, justificando muitas coisas ruins que acontece principalmente na nossa política brasileira.

A partir de 1530, começa o “Degredo”, durante o reinado de Dom João III. O Degredo, era uma prática que previa a transferência de condenados em processos inquisitórios de serem transferidos de Portugal, para a Ilha de São Tomé, em 1535 transferidos para o Brasil, com a intenção de povoamento.

Mas quem fazia parte do Degredo? Pessoas julgadas como culpadas pelo tribunal do Santo Ofício, a Inquisição: como hereges, pessoas culpadas por bigamia, casos de jovens criminosos ou vadios e um caso um tanto diferente devido ao período histórico, judeus.

Por mais que o tribunal do Santo ofício, teria sido apenas oficializado em 1536, em Portugal, a Inquisição só chega ao Brasil de fato a partir de 1591. Não apenas para combater crimes locais, mas também para evitar a popularidade protestante que já havia anteriormente, em 1557 dominar com suas ideias.

Nova Terra ou Nossa Terra

O território brasileiro estava se formando, e mais importante do que fatos e acontecimentos são aqueles que promovem eles, o ser humano. Agora o território continha: indígenas, que já eram residentes; portugueses, que chegaram nas expedições de Cabral; africanos, trazidos ao Brasil para o processo de escravidão.

Esse último grupo, tão importante quanto os demais, teve papel central na construção da sociedade brasileira. Foram responsáveis por grande parte do trabalho que sustentou a economia colonial, contribuindo diretamente para a formação material do país. Ao mesmo tempo, enfrentaram condições extremamente violentas, como as vividas nas senzalas, marcas profundas e negativas do nosso processo histórico.

Diante dessa realidade, surgiram formas de resistência, como os quilombos, que representaram a luta pela liberdade e pela dignidade, sendo símbolos importantes da resistência negra no Brasil.

Porém, mesmo que tardio, tivemos lutas contra tais abusos, que enxergavam como desumano os atos contra os escravizados no contexto brasileiro. Que depois de quase 400 anos, fora abolida no Brasil.

Para qual o fim foi a abolição? Foi para sistemas de industrialização, que já não via mais a escravidão como uma forma lucrativa de trabalho? O fim da escravidão, normalmente associada aos ideais iluministas de liberdade e direitos individuais. Porém a luta abolicionista não via o ser humano apenas por cores ou raças, enxergava a causa como ela deveria ser: dar a dignidade que o ser humano tem direito.

Em um certo período histórico no Brasil foi reconhecido, a necessidade da menção, dos três povos que formaram o nosso território: os indígenas (povos originários), os europeus Portugueses) e os negros (africanos).

Conclusão

O Brasil passa por vários processos de transformação, saindo quatro no total: pré-colonial, colonial, monarquia e republicano. Porém, o Brasil carrega a mistura dessas três culturas que são responsáveis pela transformação do nosso país.

Mesmo que nem toda história seja perfeita, ela merece ser contada da forma como ela é, não para despertar gatilhos como propagado em alguns meios, isso nos ajuda a gerar identidade e faz com que nós não viemos repetir os erros do passado. Porque de forma alguma devemos olhar os erros do passado como uma licença poética para vacilarmos.

No entanto, observar a história nos permite ver a chave para o progresso. As personagens históricas, que se destacaram na história brasileira, foram homens e mulheres que não se submeteram a ordem vigente da época. E graças a eles estamos aqui com a nossa construção de sociedade.

Você quer conhecer esses personagens? Quer saber mais da história do Brasil? Ou de outros fatos históricos? No siga aqui nos Logos Histórico, para conhecer mais da da História que gera identidade.