Existe um silêncio estranho quando alguém percebe que está sobrevivendo, mas não vivendo.
É um silêncio que não aparece em hospitais. Não está apenas nos cemitérios. Muito menos nas tragédias.
Ele aparece na rotina.
A vida moderna trouxe grandes avanços, que facilitaram e facilitam nossas vidas, todos os dias, de modo que não conseguimos mais abandonar o hábito de ligar os Smartphone, para ver hora e ao mesmo tempo vemos o mundo inteiro, por meio das nossas redes sociais. Foi nos prometido que o progresso “renderia” o tempo a nosso favor, mas em troca de algo muito maior, a nossa vida. O futuro se tornou uma utopia para o homem moderno, que entrega seu presente todos os dias.
Talvez seja isso que Lao Tsé estivesse tentando dizer.
Os homens têm medo da morte. Mas poucos percebem que já abandonaram a vida muito antes dela chegar.
Desde que o homem começou observar o mundo e trazer ao seu repertório a pergunta: “Pra onde vou?”, diversas respostas surgiram: através da Religião, Mitos, Lendas, Filósofos desenvolviam teses, buscando entender o inevitável fim do homem. Até construções foram erguidas em prol de apresentar uma explicação para a morte.
A medida que a civilização evoluía, esta buscava formas de por um fim ao fim. Porém, na medida que essa evolução está ainda acontecendo, o ser humano esqueceu de um fator: A vida.
O século XVIII, prometeu grandes avanços, que transformariam o Ser Humano produtivo e que ele se cansaria menos, no entanto, aconteceu que o relógio se tornou seu “melhor amigo”, onde ele conta o tempo de trabalho e não o tempo de vida.
A Religião Antiga, prometia que o tempo de vida na terra seria compensado em morte. A “Nova Religião”, prometeu que você viveria muito mais, para desfrutar o tempo, que você só veria na morte.
A ciência veio para ser a resposta para o problema da morte, porém ela só pode retardar a processo. A tecnologia trouxe uma alternativa… um refúgio.
Mas existe uma ironia escondida nisso tudo:
Enquanto o homem tenta viver para sempre… poucos sabem realmente viver.
A era da informação, já se tornou uma banalidade da vida moderna. No entanto, mesmo que possa parecer tão banal quanto, hoje como um dilúvio de informação que preenche um espaço que os homens abandonaram há muito tempo, o silêncio da eternidade.
Um dramaturgo, Maurice Maeterlinck (1862-1949), escreveu: “A palavra é do Tempo. O silêncio da Eternidade.”; mostrando a importância do silêncio na vida do ser humano, que alcança o nível do antigo filosofo, que tinha suas ideias propagadas por outros ou a própria “Religião Antiga”, não era falada por si só.
A modernidade condenou o Homem a ser escravo em um processo repetitivo: Respiram. Produzem. Consomem. Dormem. Repetem. Sem perceber que a vida está escorrendo pelos dedos.
E se a morte não for realmente o seu problema? E se você apenas não suporta a verdade? Qual verdade? Quem é você, quando silêncio habita?
O medo não está no fim inevitável, mas, sim, na quietude que leva ao confronto: “Eu estou realmente vivendo?”, a pergunta que chama para mudança, a saída da zona de conforto e a busca de uma transformação interna e externa.
No entanto, a notificação do “app”: a mensagem, atualização, a nova notícia, a nova do influencer que muda sua perspectiva e te convida a seguir o mesmo estilo de vida (às vezes impossível), fazendo você esquecer que você é te fato. Sua identidade condicionada a cada clique ou a cada post rolado na tela.
Fazer o contrário disso, é você desmontar a máscara, confronta ilusões e desfazer o espantalho que você criou.
Tudo isso exige consciência… E consciência dói.
Existir é automático.
Viver é intencional.
Enquanto você existe, seu tempo vai sendo usado sem ser percebido. Quando você vive, mais controle você exerce sobre o seu tempo. Um homem e um relógio, são como um homem e um cavalo: Não é o cavalo que monta no homem, mas sim o contrário. Quando você existe, o relógio te comanda, quando você vive, as coisas ficam como deveriam ser.
Muitos passam décadas acumulando dinheiro, status e reconhecimento, apenas para descobrir que negligenciaram aquilo que tornava a vida humana.
Conversas. Tempo. Memórias. Afeto. Propósito.
O paradoxo moderno é brutal:
As pessoas estão cada vez mais conectadas. E cada vez mais distantes.
Mais informadas. E menos conscientes.
Mais expostas. E menos conhecidas.
A frase de Lau Tseu não é apenas filosófica. Ela é quase um diagnóstico.
A morte não traz medo por ser um inevitável fim, mas porque a vida não há sentido, razão ou identidade. Saber quem você realmente é traz medo, pois em tempos onde há várias “referências”, os famosos “Influencers“, buscar autoconhecimento se torna desnecessário, uma vez que não desempenha visualizações.
O silêncio, revelo o oculto. A reflexão, traz a verdade. A vida, traz a responsabilidade de se ajustar a um propósito maior. A resposta: fugir de tal responsabilidade.
Por isso se distraem o tempo inteiro. Porque parar significa olhar para dentro.
E nem todos estão preparados para isso.
Existe algo profundamente triste em viver apenas para cumprir funções.
O Ser humano, é capaz de muito mais daquilo é determinado a sua vida. Mesmo que nem todos vivem num “sistema de castas”, nos colocamos todos os dias em pequenas fragmentações da sociedade e aceitamos o curso das coisas como estão, como se mudar o modo sobrevivência, que controla você, fosse uma falha moral.
O Homem precisa entrar em conexão com a existência, a natureza e com a eternidade. Independente do que você sustente como crença, saiba que ela não deve te limitar, mas levar você a uma consciência de si mesmo.
O Maior problema, talvez não seja a morte física. Mas morrer internamente, deixando apenas o corpo seguir o curso natural.
Na era que existir, se tornou uma “commodite”, tudo precisa vir como recompensa e o fim como consequência.
Porém Lau Tseu nos convida a fazer as perguntas de nossos antepassados: “De onde vim? Por que vim? Para onde vou?”, que moveu homens pela história a mudar ela, mesmo que achavam apenas, sendo quem eram.
Porque certas crises humanas nunca desapareceram. Elas apenas mudaram de roupa.
E a frase de Lau Tseu continua atual justamente porque expõe uma contradição universal:
O homem teme perder a vida. Mas frequentemente abandona aquilo que dá sentido a ela.
O problema é nunca ter vivido conscientemente.
Viver no automático, nunca observar nada além que a rotina te ofereça. Um dia tudo acaba, mas o caminho até lá: ter glórias ou sacrifícios; viajar ou aproveitar o lugar que está, com qualidade; conhecer ou autoconhecer; todas são opções a dar sentido a existência que sendo aproveitada, vira a Vida.
Lau nos cobra a presença.
A sua principal pergunta não deve ser:
“Quanto tempo ainda tenho?”
Mas sim:
“Estou realmente vivendo o tempo que tenho?”
Vivemos tentando evitar o fim, mas raramente aprendemos a experimentar o caminho.
Você consegue perceber que uma frase do século V a. C., fala sobre sua vida na atualidade?
Se essa reflexão fez sentido para você, compartilhe este artigo com alguém que precise desacelerar por alguns minutos.Porque, no fim, quase todos temem a morte. Poucos percebem que também estão fugindo da vida.
A frase de Lao Tsé não fala apenas sobre morte.
Ela fala sobre ausência.
Sobre pessoas que existem, mas não experimentam a própria vida. Sobre indivíduos que acumulam anos, mas não profundidade. Sobre uma humanidade que corre desesperadamente para escapar da morte, enquanto lentamente se afasta daquilo que significa viver.
Talvez o verdadeiro desafio humano nunca tenha sido vencer a morte.
Talvez seja aprender a viver antes que ela chegue.
